O Fantoche e a Chuva

6 de dez de 2012



Porque no fundo havia um coração que pedia socorro. Era um dia comum, frio e chuvoso, as imagens nos seus pensamentos ficavam cada vez mais borradas com tantos sentimentos, tantas palavras misturadas, fatos estranhos e muitos sonhos que demoravam a eternidade para virar realidade. E ele ali, quieto, mudo, respirando constantemente, sozinho em um quarto escuro, pensando no seu rosto e no que poderiam um dia ser. Queria apenas ficar mais um pouco ao seu lado, mesmo que fossem poucos segundos, talvez um instante em que pudesse mergulhar novamente nos seus olhos e em um mundo diferente poderiam ser felizes. 

Achava que o destino não ia com sua cara. Ele poderia ser apenas um fantoche, preso pelas nuvens pretas que acomodavam-se lá fora e a chuva seria uma mera distribuidora de incertezas, com suas gotas pávidas, repletas de medo. Vai saber. Quatro anos se passaram e aquele mesmo sentimento estranho, que acordou de repente junto com poucas e raras palavras. Simples momentos que esvaziavam-se com a falta de palavras e atitudes. Ele não queria mais esperar. Queria encontrar certezas e mais do que tudo, verdades. Agora, a plenitude encontrada na sua vida ia muito além de imaginações e sonhos. O presente antecipava-se e com ele a necessidade inconstante de ser revelava-se a cada dia, independente de tudo. E mesmo que seu olhar voltasse pro passado e o tempo novamente fizesse com que formulasse ideias, seu maior compromisso agora era com ele mesmo. Refugiando-se no mundo, não permitia mais tristezas.

Em um momento único de convicção do seu ser, ao poucos seus ideais eram colocados em prática. Seu coração pequeno aos poucos ia sarando, deixando mágoas e incertezas para trás, esquecendo antigos medos que o faziam mal. E ao invés de pedir socorro, gritava para a felicidade o mais alto que podia, quebrando antigos paradigmas, agora caminhando em favor dos ventos.  

Sem perceber, seu braços desprendiam-se das nuvens negras e suas pernas trêmulas de fantoche agora caminhavam sozinhas na terra firme. Olhava para o azul do céu, quando a chuva esquecida das suas mágoas já tinha ido embora e ele esperançoso, tentava observar o mundo novo que surgia. Um mundo diferente de tudo que ele vivera até então. Então o antigo rosto que não saia das suas memórias, acordado de repente, era enfim esquecido, ao mesmo tempo em que as gotas da chuva secavam no jardim. Deixava ir embora aquilo que não fazia bem, que não lhe dava respostas. Era tempo de mudanças. 


Foi então que ele percebeu que a vida era muito mais que pequenos momentos. E um instante preso para sempre nos pensamentos poderia permanecer ali, até que a chuva novamente parasse de cair, seus pés tocassem no chão e seus olhos enxergassem o azul do céu e o horizonte.


-Helio Filho

11 comentários:

  1. Lindo, lindo!
    É muito bom ler seus textos, sempre me encantam e inspiram! Com este não foi diferente :)

    Bjoo =***

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    1. Obrigado Hany!
      É melhor ainda ler comentários tão sinceros como os seus! Muito bom saber que meus textos te inspiram, é sempre muito motivador pra mim :)

      Beijo!

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  2. Camila Rosa Moreira9 de dezembro de 2012 23:59

    Texto lindíssimo! Parabéns pelo talento!
    Descobri seu blog por acaso e adorei, vc escreve de um jeito mto diferente, é profundo e ao mesmo tempo belo!
    Voltarei aqui!

    abraços

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    1. Obrigado Camila! Seja muito bem-vinda ao blog!
      Fico feliz que tenha gostado dos meus textos! Diferente? Bom saber também! Coisas normais as vezes são chatas né hahaha
      Volte mais vezes sim!

      Um beijo =)

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  3. Menino que texto é esse?
    Eu queria ter essa inspiração toda rsrs.
    Lindo Helinho, seus sentimentos são sempre mto profundos, nunca canso de decifrá-los através dos seus textos. Ainda vou comprar um livro seu!

    :*** bjux

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    1. Oi Lyn!

      Obrigado moça! Você sempre muito fofa!
      Obrigado pelo carinho. Livro? Um dia quem sabe né? Não sou nenhum escritor, mas é algo que eu quero muito fazer um dia.. =)

      Beijão!

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  4. Que texto bonito, menino. Adorei seu blog, tô seguindo!

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    1. Oi Caroline! Obrigado! Seja bem-vinda ao blog!
      Volte mais vezes tá?

      Beijos!

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  5. é bom saber que continua escrevendo tão bem =) me afastei mas estou voltando =)
    abraços

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    1. Oi Aldinho! Quanto tempo mesmo! Senti falta dos seus comentários por aqui... Muito obrigado! Seja bem-vindo novamente então :)

      Abraços

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