Memórias De Uma Noite Estrelada

6 de jan de 2012



E então decidi que iria correr. Correr muito e ir em direção ao mar. Mergulhar nas águas profundas do atlântico e esquecer o mundo por alguns segundos. E renovado por dentro, caminharia rumo ao destino que acontecia, mesmo quando o pôr-do-sol aparecesse para escurecer meu céu. Então lembrei que as estrelas no fundo sorriam pra mim, como se quisessem dizer algo como “ainda tem uma luz que olha pra você”. E foi assim que vi a luz que olhava pra mim, junto de outras que olhavam pra alguém que estava em outro cantinho do mundo. Simples como o som dos ventos que cortavam o mar, iluminando a tarde que ia embora. Depois de algum tempo o céu era um mundo cheio de pontos luminosos e o mar era um poço negro onde as ondas agitadas fugiam para venerar a lua. Livre de tudo, com a mente limpa das incertezas, os pés no chão, caminhei firme pensando no que poderia mudar e no que tinha mudado. Deixando passos apagados pra trás e olhando para outras direções. Rindo de tudo como meras lembranças já decifradas, esquecendo rostos que no fundo eram só espelhos partidos que ainda direcionavam raios de sol que, insignificantemente, se apagavam para mim. Respirava verdadeiros sentimentos, sozinho quando a rua movimentada de carros explodia vidas que tinham significados. O meu já era próprio de mim e a certeza de abstraí-lo correu ao meu ser quando enfim parei de olhar para os lugares errados, isto é, fora de mim.

Ah como o tempo era uma questão de existir. Sentado em um banco via pessoas passarem por todos os lados e junto delas suas vidas cheias de luz. Imaginava como seria conhecê-las e poder por algum momento ter suas amizades. Novas palavras seriam ditas, novas sensações, novos valores, novos olhares. E num fim de tarde calmo estaríamos reunidos falando sobre a vida e vivendo momentos bons, simplórios por si, valiosos como um todo. Os carros e as pessoas iam embora, desaparecendo em um horizonte próximo enquanto as palavras aos poucos tornavam-se baixas e nostálgicas. Eu via o mundo e suas cicatrizes que o tempo levava. Coberto como uma rede de sonhos, ele era uma jóia lapidada por poucos: aqueles que sabiam viver. Vivendo seus dias sem nenhum medo de serem felizes, aventuravam-se nos caminhos da vida, sempre procurando pelos sorrisos que só a felicidade poderia dar. Eram essências que somente os pássaros encontravam ao riscar o azul do céu, livres no amanhecer do dia, certos de que viveriam outros momentos únicos. “Ventos nunca são os mesmos, trazem consigo novas lembranças - novos cheiros". Esperanças de um dia melhor, a cada passo dado, na certeza de apenas ser.

O dia amanhecia simples, as pessoas continuavam andando e o sol agora direcionava seus raios igualmente para todos. Estes eram vivos e fortes. Impulsionavam a vida, davam a coragem de seguir em frente. Quando a tarde chegou aos poucos as estrelas novamente surgiam no céu para me vigiarem. Não reparei - no entanto - que os pássaros as seguiam, voando em direção a um infinito belo...

“Eles queriam libertá-las assim como eu estava livre para ser feliz”.

Helio Filho

4 comentários:

  1. Sem dúvidas o melhor texto que você ja escreveu até hoje! Me admira não ter nenhum comentário! Muito bom mesmo Helio, viajei aqui lendo hahaha Mto envolvente! Parabéns!!

    Abraços!

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  2. (Pessoal peço desculpas pelos comentários terem sido deletados! Isso aconteceu devido à mudança do layout, um erro aconteceu e deletou todos! Prometo que isso não vai mais acontecer.)

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  3. Matheus Lucas,

    Muito obrigado! Fico super feliz em ler isso! De verdade! Quanto aos comentários, expliquei anteriosmente!

    Abraços!

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  4. Parabéns,adorei seu texto.Viajei nas suas palavras me imaginando naquela situação.Vc me parece uma pessoa triste e solitário querendo se abrir ao mundo, mas tem medo de se expor.Mas continue escrevendo, é muito bom.Um grande abraço!

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