E o importante é ser você

28 de nov de 2010

Na semana passada uma tia minha falou uma coisa que me deixou super triste. Estávamos conversando sobre vários assuntos até que começamos a falar de um primo pequeno que tenho (super legal por sinal) e ela na maior sinceridade disse na minha frente que se ele não se alimentasse direito iria ficar igual a mim: alto, magro e seco. Naquele momento me senti um ser de outro planeta, um alienígena que aterrisou  e adentrou sua casa no momento em que vi seu olhar de desprezo me cercando por todos os lados.

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Temos que ser nutridos, expelir excrementos, e respirar para nossas células não morrerem. O resto é opcional. The Big Bang Theory

Quando o dia chegou

27 de nov de 2010
Ela acordou com o barulho dos pássaros. Eram quatro e meia da manhã, tudo escuro. De repente um deles apareceu do nada e gritos que vinham de longe atormentavam sua cabeça confusa, inquieta daquela madrugada cinzenta e fria do inverno. Na mesa da cozinha estavam cinco bolachas mordidas, eram cinco mordidas pequenas. Deviam ser de sua prima pequena. Ela sempre comia suas bolachas. No canto esquerdo um pote de geléia italiana importada. Presente de sua querida tia. Ah, como aquele dia estava sendo péssimo.

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20 de nov de 2010

"Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor…é para isso que vivemos."

(Do filme: Sociedade dos Poetas Mortos)

O que eu vejo

12 de nov de 2010
Eu vejo pessoas que querem o mundo de outro jeito. Eu vejo o jeito do mesmo jeito e o sonho da mudança ainda estar por vir. Jamais terei o tempo que agora tive e os momentos passaram por meus olhos como reflexos dispersos, vagos, em vão. Ora, coisas banais são tão percebidas pelos sábios, por que então as mais sábias não foram sequer importantes para mim? Talvez eu não seja sábio o suficiente, ou quem sabe minha sabedoria seja diferente da sua. Minto. Elas foram importantes sim, mas o conteúdo fora abstraído e interpretado de forma diferente. A arte é diferente, o mundo é diferente, mas agora ele continua o mesmo, intacto do mesmo jeito. Quero poder ajudar, ser mais um a pensar de outra forma. Serei as palavras sábias de Balzac ou quem sabe os poemas simples de Fernando Pessoa. Não quero ser comparações e formas aleatórias de palavras, quero ser como o tijolo concreto que fincado ao chão reafirma sua solidez. Solidez rara nos dias efêmeros. O sol queima nossas peles, e o suor espalha-se pelo corpo. Veremos a vida dolorosa como ela é e os seres que nela putrefam querendo apenas respirar. Somos o lixo que jogamos fora. Somos aquilo que queremos ter. Palavras ditas que nos fazem pensar no mundo, minutos, segundos, horas, aqui, agora.

Helio Filho

O sonhador

8 de nov de 2010

Eu não tenho forças pra falar o que quero. Sou apenas uma alma fraca, sem ritmo, sem música, solta pelo ar a procura de uma sombra qualquer. Minhas cores se apagaram, restam agora meros feches pretos que cobrem minhas lúcidas transparências. Eu sou uma alma sem cor, impura por palavras sem nexo, desgastadas pelo tempo, sem rimas, inconstantes. Eu quero correr pela rua. Quero resgatar minhas forças. Meus sonhos estão bem guardados e agora minha consciência fala mais alto que minhas atitudes. Pense bem. Eu não diria palavras repetidas para afirmar o que sinto. Eu não consigo recitar poemas, eles são muito difíceis. Acho frases imperfeitas mais bonitas. As minhas letras misturadas formam sentidos que são mais verdadeiros. Não vou mentir para mim mesmo. Agora tudo já está muito claro. Apenas quero ir de encontro a você. Devolva minhas cores, minhas músicas, minhas rimas. Elas são iguais as suas. Acho que por isso fugiram de mim e foram ao seu alcance. Mas e eu? Ficarei aqui? Onde está a parte que também me completa? Não tenho dúvidas que você encontrou. Vejo uma imagem no horizonte, um olhar profundo de alguém distante. Ouço uma voz baixa de tons esverdeados misturados com toques macios de ternura e sinceridade. Vejo o que não existe. Vejo o real que ainda não está na minha realidade. Tudo isso poderia ser um simples sonho onde eu poderia agora acordar. Mas eu gosto desse sonho.  Eu sonho demais.

Helio Filho

Essência

5 de nov de 2010
Tudo teria um fim. Férias, pessoas, casa na praia, amigos, colégios, matérias, professores. Tudo iria desaparecer. Roupas, sapatos, sandálias, perfumes, argolas. Esconderia tudo. Braceletes, pérolas, colares, canetas, cédulas, viagens, maquiagens, lembretes, orkut. Não fariam mais parte do seu ser. No lugar de diamantes,  televisões, restaurantes caros colocou um ponto final singelo. Sufocando-se na imensidão de seus passos que se esvaziavam, coisas superficiais deixadas para trás. Iria correr e ver o mar, o por-do-sol , a praça que ficava a alguns metros da sua casa.Não pensaria muito alto . Não teria ambições. Sua vida era mais importante que presentes, músicas, lugares que causavam admiração. Embora soubesse que poderia ir mais além, conteve-se com o que a vida lhe dera, seria feliz assim, no seu mundo simples, com quem realmente se importava, com seu mundo arquitetado por ideais singelos, verdadeiros, entrelaçados por músicas coloridas, verdes perfumes, doces imaginações, seres fantasiosos, um mundo aconchegante. Andaria pelos rios a procura de um horizonte harmonioso, e veria nas nuvens as respostas do tempo que lhe causara tanto medo. Prometendo não ir muito além, descansou um pouco nas poucas tardes do outono, quando as gaivotas corriam juntas a procura de um lugar melhor. Talvez ele estivesse ali mesmo, onde ela estava. Ou talvez nunca existisse se não nos seus próprios pensamentos. Querendo ou não, estava disposta a lutar pelos seus ideais, mas não imersa em mundos fulos, superficiais. Não olharia para os rios, nuvens, praças a procura de uma substância, mas de uma essência que a fizesse verdadeiramente feliz.

Helio Filho.
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