Do outro lado com Gabi - Parte 4 (Final)

9 de out de 2010
 Oi gente! Enfim chegamos ao final da história da Gabi! Não poderia deixar de agradecer a todos que tiveram paciência de ler e comentar em todas as partes, fiquei muito feliz mesmo em ver os elogios! Agradeço também a meus colegas Matheus, Guilherme e Iasmin, pois sem eles a história não existiria, e a meu professor Guilherme Sarmiento por ter proposto essa atividade tão legal de ir a um museu e criar uma história com base nos cômodos dele! Prometo que vou tentar escrever mais "séries" deste tipo aqui,adorei o resultado dessa.. agora divirtam-se com o final!  :D


Marília Gabriela saiu da cozinha muito assustada. Seus cabelos, não sabia o porquê, estavam todos molhados, e ela já não mais se sentia maravilhosamente bem. Uma ânsia de vômito lhe invadiu, mas nada lhe saiu da boca. Olhou rigorosamente para um altar de madeira que no momento estava vazio. Pensou que talvez devesse comprar uma Virgem Maria e presentear os habitantes do casarão, afinal eles haviam lhe concedido “entrevistas” tão interessantes. Decidiu comprar uma Virgem bem graciosa, talvez até com toques em ouro para combinar com os ornamentos do altar.
Ouro. De alguma forma essa palavra lhe despertou algo há algum tempo já esquecido, como perfumes despertam antigas dores de amores vividos. Lembrou-se de repente que não podia comprar presente algum, nem sequer um alfinete, pois não estava com sua bolsa, sua Chanel. Onde havia deixado sua bolsa não sabia, só imaginou que a aquela altura do campeonato já deveriam ter surrupiado sua bolsa. Sua face distorceu-se em tristeza. Havia perdido logo aquela bolsa, que havia sido um presente de...
- Reynaldo!
- Oi, Marília! – respondeu o homem que aparentemente havia saído do nada.
- Como é possível? O que você está fazendo aqui? De onde você veio? – disse a entrevistadora de um só fôlego.
- Calma. Você como sempre, fã de perguntas. Eu vim devolver sua bolsa – falou Reynaldo estendendo seu braço direito.
- Mas isto não é uma bolsa! Isto é um balde!
‘Francamente’, pensou Marília, ‘de todas as burrices que tive que aturar em anos de relacionamento, essa é a pior. ’
- Olha, é mesmo um balde! E ele está cheio! – e dizendo isso, o bonito rapaz joga um jato de água na cara da jornalista.
Marília achou que estava se afogando. Lembrou-se de quando era pequena e quase havia morrido no mar. Um pescador lhe salvou a vida na época. Perguntou-se quem lhe salvaria, agora que estava se afogando novamente. ‘Provavelmente ninguém’, pensou. Achou que ia morrer e fechou os olhos. Decidiu parar de lutar e pensou, com um misto de melancolia e felicidade, que após tantos anos ela realmente iria poder descansar. Para sempre.
- Ela acordando!
- Sim. Que bela idéia essa de jogar água na cara dela! A dona quase morreu afogada – disse o velho porteiro, meio raivoso, meio aliviado – Dona, a gente achou que a senhora tinha morrido. Jogamos dois baldes na sua cara e a senhora nada de acordar!
- Ora, o que aconteceu? – perguntou Marília Gabriela a ninguém em particular. Ela estava meio atordoada e sua visão estava turva. Suas roupas estavam empapadas de água e seu cabelo precisava urgentemente de um pente.
- Ah, dona. A senhora teve um treco e caiu da escada – disse o porteiro muito solidário – A senhora subiu algumas escadas e depois eu vi que a senhora começou a passar mal, e logo depois caiu. Foi tudo muito rápido. Daí eu saí e chamei a primeira pessoa que eu vi passando pra me ajudar com a senhora.
- Deve ter sido o calor! – falou um outro homem. Era jovem e devia ter uns dezessete anos. Tinha uma cabeleira encaracolada e pela cara que fazia devia estar achando muita graça em tudo aquilo.
- Entendo – disse Marília calmamente. Sua memória agora aflorava. O restaurante. O sanduíche. O museu. As escadas. ‘Devo ter passado mal com o atum’, pensou.
- Bem, muito obrigado os senhores. Sou muito grata pela ajuda – falou uma agora enérgica Marília Gabriela.
Ela se levantou, ajeitou a roupa e pegou sua bolsa:
- Devo ir agora para o meu hotel – disparou, e muito rapidamente se esgueirou para fora do museu. Ouviu os dois homens falarem algo sobre ir ao hospital, mas ela simplesmente acenou e foi embora.
Seu corpo estava todo dolorido, e ela tinha certeza que havia fraturado seu dedo mindinho, mas não se importou muito com isso. Seus pensamentos estavam à mil, e ela travava uma batalha consigo mesma: ‘deveria acreditar ou não em tudo o que lhe acontecera naquele casarão? Aquelas, digamos assim, entrevistas, realmente aconteceram?’ De uma coisa sabia, ela não havia passeado fisicamente pelo casarão, mas sua mente, de alguma forma havia passeado. Ela imaginou que se Reynaldo não tivesse se materializado em seus devaneios, ela nunca iria ter acordado. Talvez até somente a imagem absurda dele num museu teria sido suficiente para despertá-la. ‘Reynaldo visitando um museu é uma idéia que ressuscita até os mortos’, pensou Marília Gabriela rindo baixinho.
Cogitou rapidamente compartilhar sua experiência transcendental na palestra de mais tarde, mas logo descartou essa idéia. Além do fato de que todos iriam achar que ela estava tresloucada, não seria justo revelar ao público histórias de dor e sofrimento, histórias essas que pertenciam a pessoas que nem sequer estavam possibilitadas de dizer se concordavam ou não com tal exposição.
- Essa é a verdadeira ética do entrevistador, - pensou Marília - saber respeitar e saber a hora de manter um segredo. Com essas conclusões em mente, Marília Gabriela apressou o passo para chegar ao hotel. No caminho ela fez, silenciosamente, um juramento: o de nunca mais comer nada que tenha sido pescado diretamente das águas do rio Paraguaçu. 

FIM

* por Iasmin Coni

7 comentários:

  1. Simplesmente adorei esse final! Ficou mto legal mesmo Helio! Parabéns a todos da sua equipe!! Espero q faça mais história grandes assim mesmo,eu ameii!
    Bjão!

    ResponderExcluir
  2. Aii Amei! Ficou mtoo engraçado hauhauahuah! Adorei a história, os personagens, td ficou bacana! Esse final então mto bom, sua colega escreve mto bem! Parabéns a todos! Estou esperando pela proóxima história hein??!!
    Bjux

    ResponderExcluir
  3. Sensacional! Ficou mt legal mesmo essa história. Adorei o final. Parabéns à você e aos seus colegas. Espero que a próxima seja tão boa quanto essa.
    Bjos :**

    ResponderExcluir
  4. Parabéns Helio! Ficou mto legal a história e o final! Vc realmente são mto talentosos! Ri mto com a Gabi! hauhauah
    Abraços!

    ResponderExcluir
  5. Adoreii Helio!! Ficou mto bom MESMO! Parabéns a todos, todas as partes ficaram super divertidas e bem escritas, vcs tem mto talento! Vou esperar anciosa pela proxima história viu?Beijos

    ResponderExcluir
  6. Ameii!! Mto bom! Parabéns Helio!
    grande bjoo :)

    ResponderExcluir
  7. Ah, adorei! Ficou lindo! Vou sentir falta da Gabi,essa história ficou muito boa, parabéns a todos! E não demora pra fazer outra n! Bjinhos

    ResponderExcluir

Gostou do post? Deixe um comentário! Sua opinião é muito importante pra mim :)

| Powered by Blogger | Todos os direitos reservados | Melhor Visualizado no Google Chrome | Topo