Abajur

29 de ago de 2010
Eram duas e meia da manhã .Ela olhava para o céu e nada mais via além das nuvens negras que passavam rapidamente cortando a cidade pequena, fria, solitária daquela madrugada. Estava tudo escuro, ou quase tudo, se não fossem as lâmpadas acessas de uma casa longínqua , há alguns metros da sua.Um silêncio profundo dentro de si, por fora o mesmo sentimento. Ela queria gritar, mas não podia. Acordaria todos,pensava. Mas quem iria se importar com ela? Mera estudante de letras que queria apenas ser alguém na vida e conquistar um emprego no mercado de trabalho. Foram-se dias que tentava estudar, junto com seus livros de todas as manhãs. E no meio de tantas palavras proferidas, preferia as simplórias que se escondiam entre os rascunhos por de baixo de folhas amassadas do seu caderno. Aquelas sim faziam sentido, e mesmo que não fizessem guardariam um sentimento que ninguém  teria com ela. Junto delas haviam desenhos, pinturas, sonhos que poderiam ser traduzidos, palavras novas, um bom dia que nunca escutava, um olhar verdadeiro que olhava atentamente para ela todas os dias.E quando sentia-se só lembrava que tinha velhos e bons amigos que nunca a abandonavam. Alguns morreram tão cedo por terem um coração tão pequeno, mas ao mesmo tempo fugaz e inteligente.Outros eram mais corajosos e aventureiros, levando-a para as mais variadas aventuras que uma jovem poderia ter. Detestava aqueles que lhe davam conselhos, mas no fim das contas eles eram os mais certos mesmo e preferia os românticos e lunáticos que viam o amor como algo essencial á vida. Quando a saudade batia na horas menos esperadas, lembrava-se do quão importante eles eram em sua vida, de como a faziam feliz, de como cada palavra que diziam pra si faziam-na crescer e ser alguém mais especial. Pena que quase ninguém a via desse jeito, fora eles claro. No meio da calçada via pessoas de longe, pareciam felizes, comemorando algo que sabe-se lá Deus o que seria. Palavras eram ditas, alguns corriam de um lado enquanto uns serviam mais bebidas para outros que tinham terminado o copo. E ela ali. Triste, no meio de um céu negro que soprava ventos gélidos e estranhos. Ela poderia estar ali. Poderia estar feliz no meio daquelas pessoas, abraçando todos que via pela frente. Poderia estar bebendo, se divertindo horrores, caindo no meio da rua feito crianças que não sabem o significado da palavra controle. Poderia estar em um mundo diferente do seu, experimentando novos sentimentos, novas aventuras. E não reparou quando um gato derrubou o abajur preto que estava dentro de sua casa, os seus pensamentos não estavam mais em si, nem seus gritos que já não queriam mais sair. Voltando para dentro de sua casa, preferiu dormir no gramado úmido do jardim, ao som daquelas vozes felizes que vinham de longe. Sonhou com um mundo cheio de abajures alegres e cintilantes, talvez eles pudessem iluminar suas noites tristes e escuras.

Helio Filho

9 comentários:

  1. Simplesmente, adorei!
    Triste, profundo,reflexivo..diferente de todos q vc ja fez!
    Bjoos!

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  2. Lindo.. tá cada vez melhor hein? Adorei!
    Bjoss :)

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  3. Legal! Mto bom mesmo.Pelo q vi ela parece ser uma pessoa triste, solitária. Mas no meu entendimento o abajur no caso seria o " acordar para a vida", essa iluminação, um possibilidade nova de viver, sem ser na solidão. Gostei bastante! abraços

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  4. Hany

    obrigado linda! Fico feliz q tenha gostado :)
    Realmente é bem diferente dos outros ! :*
    Bjo ^^

    Rejane
    Obrigad To cada vez melhor?? Q bom q vc esta achando isso! Bjoo :D

    Matheus
    Isso mesmo matheus! Porém cada um interpreta de um jeito né? Obrigadoo
    abraços :)

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  5. Vc escreve mto bem! Parabéns pelo blog, é lindo!
    Lindo o post e triste tb! Gosto de textos desse tipo, beijoo ;B

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  6. Lindo! Vc escreve mto bem, parabéns!

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