O fechar dos olhos

2 de mai de 2010
E sabe-se lá quando teria coragem de sair daquele lugar. Não que fosse o seu lugar preferido, embora muitas vezes o tivesse como seu maior esconderijo quando o mundo parecia querer sumir e evaporar. Lá estava suas maiores aliadas juntas de outras que insistiam em querer ser suas amigas, desviando seus caminhos para além daqueles que ela queria seguir, mas que não tinha coragem. E nos dias escuros, sua calmaria era encontrada sutilmente quando apenas fechava os olhos e lembrava de suas pequenas lembranças, simples que tornavam-na um pouco melhor. Era lá que todos os seus maiores sentimentos ficavam guardados e os maiores medos insistiam em atormentá-la quando a confiança já não tinha mais forças para voltar, porém no fundo estava apenas escondida esperando por ser encontrada. Quando enfim deixava-o, parecia que seu mundo mudava, e tudo o que sonhava perdia totalmente o sentido. O sentido tinha seu verdadeiro significado quando estava lá, onde tudo parecia ser perfeito e onde as coisas seriam mais fáceis de serem resolvidas. Talvez por isso sua cisma por ele só aumentava e querer deixá-lo já não mais fazia parte de seus planos. As gotas da chuva nada mais eram que apenas uma lembrança do mundo real, quando sua consciência falava mais alto e quando seu instinto era mais do que parecia ser. Embora chorasse muito por ainda tê-los, sua importância era ainda sentida. Ah, como o tempo passava e sua vida ficava cada vez mais submersa naquele lugar com todos aqueles sonhos. Como sentia-se melhor quando encontrava com todos que amava e quando com eles viajava para lugares que iam além do que poderiam ser. Naquele lugar tudo poderia acontecer e tudo poderia fazer, seu fascino vinha daí, quando o tédio tomava conta de si fazendo com que ela fosse envolta pelo espírito da aventura. Lembro quando ela delirava imersa nos seus maiores sonhos e seus sentimentos insistiam em sair daquele ambiente fechado que é chamado de coração. Mas não poderia imaginar que sua ganância por estar nele seria tão grande ao ponto de fechar os olhos e nunca mais abri-los. Como gostava de estar aonde sempre queria estar, como tudo ali era tranqüilo, esconderijo de todas as mágoas que guardava pra si. Seus olhos nada viam, era o fechar dos olhos, seu mundo, a imaginação.

Helio Filho

4 comentários:

  1. Garoto como vc escreve bem!!

    Nossa, to aqui babando..

    Me lembrou muito alguns textos da clarice lispector! Sabe, tem dias que dá vontade de fechar os olhos e nunca mais abrir mesmo, dá vontade de so viver no mundo da imaginação, dos nossos sonhos, entendi o que vc quis dizer!
    Beijos

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  2. Parabéns pelo texto e pelo blog!
    Gostei mto também!
    Abraços

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  3. Obrigado Hany! Q bom q vc gostou :)
    Clarice? Nossa..tb n exagera ne, ninguém escreve igual a ela..hauahauahah
    Bjos


    Olá Matheus! Obrigado pelo comentário e pelo elogio! Seja bem-vindo!
    Abraços

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  4. Lindo esse texto Helio, adorei!
    tá escrevendo mt bem hein?
    Ahh.. eu queria te desejar os parábens pelo blog que tá cada dia melhor.
    Bjãoo.. adoro vc!

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