Sobre os negros e o BAFF

23 de mai de 2010
    Tem mais ou menos três meses que entrei na universidade e deixei o colégio e toda uma história de muitos anos de estudo e muitas risadas. Uma coisa  que me chamou atenção logo no primeiro dia de aula nela foram os negros. Não que eu ache eles diferente dos outros, mas parecem valorizar mais suas próprias culturas. Parecem ter um conhecimento maior, uma sensibilidade mais apurada e sabem conversar de forma clara dos seus direitos como negros e de sua história.
  Grande parte dos estudantes negros do CAHL ( Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB)  usam os cabelos de forma natural, sem o uso das chapinhas e dos produtos químicos de alisamento que existem nos dias atuais. É legal falar isso, pois grande parte de minhas colegas de ensino médio era fascinadas por cabelos lisos e faziam de tudo para tê-los. Quando chovia parecia que o mundo iria acabar para elas que não queriam molhar o cabelo de jeito nenhum, corriam e pegavam sacos de lixo pra que a água não encostasse e estragasse os fios esticados.
 É, eu sei que no ensino médio as pessoas ainda não tem um pensamento maduro á respeito do que é valorizar uma cultura, nem eu critico o fato de pessoas quererem se sentir mais bonitas. Só acho legal comentar esses dois lados da moeda para que todos tenham uma noção do que é ser negro no Brasil. Na escola temos todo um conjunto de fatores que fazem com que os negros se vistam de um jeito, usem os cabelos de uma forma, usem tênis de certas marcas, tudo ditado por uma moda onde a mídia exerce grande influência. A novela das oito, malhação, todos esses programas ditam as normas de como você deve ser. E os adolescentes ainda na fase  de descoberta de suas personalidades acabam por serem influenciados e aderem á esses estilos. Também tem a questão dos famosos " grupinhos". Se você não é desse jeito, nem fale comigo. E o diferente acaba por ser excluído das amizades e de todo o convívio.
    Mas na universidade é diferente. Lá as pessoas não estão nem aí pro que você fala, veste, usa. Todos tem uma capacidade maior de discernimento sobre tudo. E é por isso que os negros usam suas idéias para serem o que são dentro da universidade. Valorizando suas culturas, suas personalidades e toda uma história de séculos de existência, sem serem influenciados por essas mídias. Pelo menos, essa é minha visão até agora.

A universidade também cumpre com seu papel. No fim da semana passada e começo desta aconteceu um festival de cinema importantíssimo lá. O III Bahia Afro Film Festival ( BAFF). É um festival de cinema que une diversos segmentos do mesmo para em conjunto fazer um festival pautado na cultura afro. Filmes de diversos países foram mostrados do auditório do CAHL, além de paletras sobre cinema e várias oficinas muito interessantes. Eu participei de uma muito legal que foi a " Tele em transe", ministrada por Roque Araújo que fez muitos filmes com Glauber Rocha,o maior cineasta baiano. Um dos filmes mais populares dele foi " Deus e o diabo na terra do sol". A oficina foi muito interessante, aprendi muitas coisas, inclusive pude mexer em câmeras que nunca tinha visto antes. Tiveram outras oficinas também, como a e de edição de vídeo e roteiro, mas eu preferi a do Roque por que trabalhou com a manipulação da câmera digital e a do cinema, foi muito interessante. Também aconteceram palestras muito legais. Uma delas foi com diversos diretores de cinema que mostraram suas experiências e falaram do cenário cinematográfico atual. Dois desses diretores fizeram filmes importantíssimos como "Cidade Baixa"e " Central do Brasil", na verdade são diretoras, muito legais. Outra palestra que tivemos foi de uma cubana, esposa de um dos maiores documentaristas do mundo, o Santiago Alvarez. Foi muito legal conhecer um pouco do cinema de Cuba e os trabalhos do Santiago. Lá as pessoas são muito interessadas por obras audiovisuais e nos cinemas há filmes de todos os países, não só filmes americanos como aqui no Brasil.
Teve muitas outras coisas, mas eu infelizmente não pude ir em todas, porém venho aqui ressaltar como esse festival foi bom!  Parabéns á direção e á UFRB pelo apoio!

Unheimlich

20 de mai de 2010
A caixa foi aberta. Um estrondo foi ouvido ruas atrás, as crianças eufóricas corriam e os adultos resmungavam palavras inúteis naquele momento. As rosas pareciam distantes, vistas de longe por entre o vidro daquela janela preta, um pouco enferrujada. De vez em quando um vento frio corria por entre a casa e as gotas da chuva ainda molhavam o chão sujo de terra defronte do campo gramado dos Eufontes. Era como se o som ecoasse durante horas e aquela agonia ia de encontro com a aflição daqueles seres que apenas viviam suas vidas. O relógio da parede não mais era um objeto ao passo que o verdadeiro nome da televisão não era mais este. Eram nomes que se confundiam, nomes inventados, qual seriam seus verdadeiros significados? E os pássaros batiam as asas, os corvos cantavam como nunca cantaram antes e a tampa da caixa aberta com o segredo enfim revelado.




Unheimlich: É o nome de tudo o que deveria ter permanecido secreto, oculto, mas veio á luz. Interessante não é? Aprendi esse nome/expressão na facul, nunca tinha ouvido falar, o unheimlich é muito utilizado pelos cineastas e tem fundamentos filosóficos, um pouco complexos mas muito legal de serem estudados.

Eu vejo você

16 de mai de 2010


Às vezes eu tenho a sensação de que as pessoas criam situações para me provocar, para me sacudir, para saber qual a minha reação e me forçar a enxergar o que não quero ver. Me fazer falar o que não quero dizer e escrever o que querem saber. Ué?! Estou sendo testada o tempo todo? Só pode ser coisa da minha cabeça. Coisa de gente egocêntrica, talvez.
Mas saiba você que eu tenho total controle sobre minhas ações. Que eu posso andar com um olho aberto e outro fechado. Eu posso dizer coisas no silêncio e depois escrever tudo em metáforas. E eu não faço isso para fazer joguinho, nem dificultar as coisas criando uma máscara. Se você me conhecesse saberia que sempre fui assim. Se você me acompanhasse saberia de verdade quem sou. Mas você desistiu, preferiu me observar de longe acreditando que estou jogando o seu jogo. E você prefere não ver que eu vejo você. Eu sinto você o tempo todo e você nem sabe. Pensa que eu não te vejo de onde eu estou, mas eu te vejo.
Hoje eu procurei aquelas palavras para te dizer, mas não sei onde guardei ou se joguei fora. Está tudo tão claro, tão simples, tão óbvio e eu não sei onde perdi aqueles poemas, aquelas canções, aquela voz rouca que pulsava na minha cabeça todo dia. Não encontrei nada disso. Tudo o que restou foi seu olhar distante, meio de lado, torto, disfarçado, fingido.
Acabou-se o mistério.

Suellen Nara

Alice no país das maravilhas

14 de mai de 2010

    Eu já estava quase desistindo de assistir. Todos os dias que marcava com meus colegas para ver, uma coisa acontecia e não dava pra ir. Um bom exemplo dessas coisas foi a nossa incessante vontade de ver o filme em 3D. Como na nossa cidade o cinema ainda não tem essa tecnologia, teríamos que ir pra Salvador, mas logo desistimos dessa idéia maluca pois além de ser um grande trabalho, não estamos com todo esse tempo pra viajar. Isso demorou dias, ir ou não ir assistir em 3D? Enfim, assistimos em 2D aqui na minha cidade mesmo na quarta passada, a poucas semanas de sair de cartaz ( eu acho).


  O filme não superou minhas expectativas. Não digo que não gostei, que foi um filme péssimo, ruim, mas eu esperava mais de um filme de Tim Burton que é extremamente irreverente no quisito filmes de animação e efeitos especiais. Primeiro não gostei da história da Alice voltar já adulta pro mundo das maravilhas. Perdeu totalmente a graça e a magia do filme original. Segundo que eu vi o filme dublado porque só tinha essa opção. As vozes da mulher que dublou a Alice e a do homem que dublou o Chapeleiro Maluco me irritaram demais. Ficou muito artificial. E terceiro que muitas cenas poderiam ser mais exploradas e interpretadas melhores. Por exemplo quando a Alice cai no buraco, quando ela vai matar o bicho, quando ela volta pro mundo real. Eu achei que houve um vazio em certas partes. Talvez seja pelo fato dos personagens em sí não terem muita vida. Acho que o Tim Burton quis dar ao filme um aspecto mais aventuresco  ao invés  de priorizar o encanto da Disney.



Porém não tenho nada a comentar sobre os efeitos especiais e sobre as animações. Muito perfeitas. O colorido do filme me encantou, é impressionante como tudo foi encaixado de forma pensada. O lado mais sombrio do castelo da rainha vermelha, as cores da floresta, as cores do castelo da rainha branca, a maquiagem dos personagens. 



Por falar neles, Johnny Depp deu um show de interpretação sendo o chapeleiro maluco. O que mais gosto nele é que todos os personagens que ele faz são muito diferente uns dos outros e ele sempre consegue fazer com que todos fiquem com uma característica diferente. Gostei muito também da Helena Bonham Carter que faz a rainha vermelha, ela interpreta muito bem também. Já a garota que fez Alice não me encantou muito, não sei por que, mas não gostei muito dela como a personagem. 

A qualidade da produção, os cenários computadorizados, os figurinos maravilhosos (reparem na quantidade de trocas de roupa de Alice) e o cuidado com os efeitos 3D ressaltam e fazem deste um programa bem divertido e que fazem os adultos reviverem a imaginação – e o medo dos personagens – da época em que leram os livros de Lewis Carroll.

O mais legal contudo foi ver a música da Avril Lavigne nos créditos finais. Fiquei muito feliz, afinal não é todo dia que podemos ouvir nosso ídolo no cinema. Vi até algumas pessoas cantando a música que se chama " Alice".

Enfim, apesar de tudo eu gostei do filme, ao contrário de muitas pessoas da minha sala que não gostaram nenhum pouco. Recomendo pra quem não assitiu ainda :)

Laços

8 de mai de 2010
Como prometi, escolhi mais um curta-metragem para mostrar a vocês. E dessa vez é curto mesmo, são apenas seis minutos de duração, mas garanto que vão adorar!


“Laços” é um curta-metragem brasileiro dirigido por Flávia Lacerda que foi escolhido como vencedor do concurso “YouTube Project Direct”em 2007. Como prêmio, a diretora ganhou US$ 5.000.

Assisti no ano passado e fiquei maravilhado com a história e com a mensagem que é passada a todos de uma forma simples e muito bonita. Espero que gostem, apesar de ter cara de vídeo amador , é muito bom!


Castelos de areia

7 de mai de 2010

Era um belo dia de Sol. A data exata, não se sabe. Mas havia Sol, mar, areia e sonhos. E aquela garota. Sentada à beira d’água, olhando para a imensidão azul que se estendia à sua frente.

Após longos momentos de reflexão, ela se levantou e, com movimentos delicados e até mesmo tímidos, começou a procurar uma parte mais firme no areal. Encontrando, arranjou um lugar, sentou-se e começou a cavar. A areia que entrava debaixo da unha parecia não incomodá-la enquanto se lançava de corpo e alma àquela importante tarefa. Com esforço, habilidade e determinação, foi cavando cada vez mais fundo, até encontrar areia úmida. Tirando-a dali, começou a erguer uma torre próxima àquele buraco. Enquanto isso, o tempo nem sequer parecia passar.

A parte da construção da torre parecia ser a mais empolgante. Podia se notar um brilho diferente nos olhos daquela garota, ao moldar e esculpir aquele pedaço de um castelo. Obviamente, cavar um buraco nunca é algo muito animador. Talvez fosse o fato de começar a enxergar aquilo que apenas visualizara em sua mente que a fazia sorrir daquela maneira misteriosa. Os minutos corriam, mas a sombra do sorriso permanecia em sua face. E logo já não era apenas uma, mas duas torres, bem erguidas e belamente adornadas, com toda espécie de conchas que ela, surpreendentemente, encontrara.

Em poucas horas, já havia ali uma bela obra de arte, um castelo digno de uma princesa. Digno da princesa que o construíra tão dedicadamente. Apesar do tempo consumido, ela sabia que também era necessário construir um fosso, para qualquer eventualidade. Um ataque das ondas, talvez. Até então, o buraco tinha servido para impedir que a água chegasse ao castelo duas vezes, mas já ameaçava desmoronar. Era hora de proteger seu sonho tornado em realidade.

Mas, antes que o fosso fosse concluído, veio a maior onda daquela tarde, que cobriu a garota e escorreu seu árduo trabalho de todo um dia para bem longe, de volta para o mar. Era difícil enteder por que a princesa não caíra em prantos ao contemplar aquela massa disforme que há apenas um piscar de olhos ainda era o belo e majestoso fruto de sua perseverança. Talvez ela tivesse acordado. O Sol já se punha.

O tempo de deixar as brincadeiras na praia de lado havia chegado. Era tempo de construir castelos de verdade.

Eu agora sou a onda que está destruíndo os castelos de areia que eu mesma montei – aqueles sonhos secretos e de estimação que guardei a sete chaves no mais profundo do meu coração.

Talvez tenha chegado a hora de construir castelos de verdade, mas isso não significa que me esquecerei dos maravilhosos dias que passei sentada na praia, construindo essas frágeis obras-primas…


                                                                Brenda Nepomuceno

* Eu simplesmente amo os textos dessa garota!


                                                         

O fechar dos olhos

2 de mai de 2010
E sabe-se lá quando teria coragem de sair daquele lugar. Não que fosse o seu lugar preferido, embora muitas vezes o tivesse como seu maior esconderijo quando o mundo parecia querer sumir e evaporar. Lá estava suas maiores aliadas juntas de outras que insistiam em querer ser suas amigas, desviando seus caminhos para além daqueles que ela queria seguir, mas que não tinha coragem. E nos dias escuros, sua calmaria era encontrada sutilmente quando apenas fechava os olhos e lembrava de suas pequenas lembranças, simples que tornavam-na um pouco melhor. Era lá que todos os seus maiores sentimentos ficavam guardados e os maiores medos insistiam em atormentá-la quando a confiança já não tinha mais forças para voltar, porém no fundo estava apenas escondida esperando por ser encontrada. Quando enfim deixava-o, parecia que seu mundo mudava, e tudo o que sonhava perdia totalmente o sentido. O sentido tinha seu verdadeiro significado quando estava lá, onde tudo parecia ser perfeito e onde as coisas seriam mais fáceis de serem resolvidas. Talvez por isso sua cisma por ele só aumentava e querer deixá-lo já não mais fazia parte de seus planos. As gotas da chuva nada mais eram que apenas uma lembrança do mundo real, quando sua consciência falava mais alto e quando seu instinto era mais do que parecia ser. Embora chorasse muito por ainda tê-los, sua importância era ainda sentida. Ah, como o tempo passava e sua vida ficava cada vez mais submersa naquele lugar com todos aqueles sonhos. Como sentia-se melhor quando encontrava com todos que amava e quando com eles viajava para lugares que iam além do que poderiam ser. Naquele lugar tudo poderia acontecer e tudo poderia fazer, seu fascino vinha daí, quando o tédio tomava conta de si fazendo com que ela fosse envolta pelo espírito da aventura. Lembro quando ela delirava imersa nos seus maiores sonhos e seus sentimentos insistiam em sair daquele ambiente fechado que é chamado de coração. Mas não poderia imaginar que sua ganância por estar nele seria tão grande ao ponto de fechar os olhos e nunca mais abri-los. Como gostava de estar aonde sempre queria estar, como tudo ali era tranqüilo, esconderijo de todas as mágoas que guardava pra si. Seus olhos nada viam, era o fechar dos olhos, seu mundo, a imaginação.

Helio Filho
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