O crânio

21 de abr de 2010
O crânio estava sobre a terra. Nu e cru. Não havia mais sentimentos, nem palavras que descrevessem quem um dia foi sua pessoa,nem tão pouco a imagem do seu rosto e as lembranças de alguém que um dia esteve ali. Nu e cru estava ossos que em conjunto formavam resquícios de uma vida que se passou, de momentos que aconteceram, de sentimentos que foram sentidos e quisera fossem eternos.Agora ele estava ali. O que um dia causou a admiração de muitos não faz mais do que amedrontar crianças, agora naquele lugar nublado onde pássaros cantam de vez em quando e a certeza de que a chuva estar por vir nada mais é do que uma simples razão. E todos que o olhavam arrepiavam-se com suas próprias idéas. Idéias que iam além do que o presente dizia mas que o futuro certamente iria dizer. O medo do fim. Do final de uma história que não deveria terminar. História onde personagens se amam e constroem entre sí relações verdadeiras, de afeto e amor. E ver no chão um crânio nos remete a pensar nesse fim. Fim que um dia vai acontecer, não como nas histórias onde os finais são sempre felizes, mas triste e solitário e que a única esperança que nos resta é que sejamos felizes ainda que não saibamos para onde ir.
Mas na vida tudo pode mudar e ninguém reparou quando uma menina loira de vestido azul atrevessou o pátio e percebeu que estavam na porta de um museu. Um museu de famosos escritores que passaram décadas dedicando-se a literatura e ao poder que a escrita pode nos oferecer. O crânio nada mais era que uma réplica de um deles e agora não mais os assustava, ao contrário causava admiração.
Por que as lembranças nunca deixam de existir e o que pode parecer estranho no fundo guarda dentro de sí grandes mensagens. Helio Filho.

2 comentários:

  1. "Por que as lembranças nunca deixam de existir e o que pode parecer estranho no fundo guarda dentro de sí grandes mensagens"

    Adorei! Concordo plenamente!
    Beijos

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