O espaço no tempo e a certeza do futuro

28 de dez de 2010
Vocês já devem estar cansados de ouvir isso de mim mas é impressionante como o tempo passou rápido!  Ontem janeiro estava praticamente começando e eu estava aqui em casa impaciente querendo saber se ia passar no vestibular. O murro na cara veio, não passei. Mas depois de algumas semanas o Enem chegou e trouxe a felicidade ao meu lar. E lá fui eu começar a minha vida de estudante universitário, em uma cidade que eu nunca gostei mas que muito tempo depois passei a gostar.A Universidade Federal dos meus sonhos, tão almejada pelas pessoas, logo se tornou a minha rotina e aos poucos fui deixando pra trás pessoas, costumes, amigos e tudo o que um dia esteve comigo durante muitos anos. Meus planos mudaram totalmente.

Música da semana: Us (Regina Spektor)

25 de dez de 2010
E a escolhida para ser a música dessa semana é "Us" da Regina Spektor. Não sei bem o porquê de ter escolhido ela justamente na semana do Natal (seria mais apropriado uma música natalina), mas acho que foi pelo fato de ter ouvido ela durante a semana inteira e também por ser muito fã da Regina. Sem sombra de dúvidas ela é uma das melhores compositoras e cantoras que conheço.

Feliz Natal!

23 de dez de 2010
Amanhã é véspera de Natal! Dia de estar com a família e pessoas que a gente gosta celebrando esta data tão especial e que encanta todos! Eu gosto do Natal justamente por causa desse clima gostoso de confraternização, de felicidade e de amor que a data tráz, e isso tudo é melhor do que qualquer presente que possamos ganhar! Ter o carinho dos pais, dos irmãos, dos amigos, dos primos é muito valioso. As vezes eu fico pensando como deve ser o Natal de crianças que moram nas ruas, de mendigos e pessoas desaparecidas que não possuem a companhia dessas pessoas. Com certeza para eles deve ser mais uma data qualquer. Mas aí penso que o Natal é época de sonhar, ter esperança que esse mundo um dia mude, ter esperança que toda a injustiça do planeta acabe. Seria tão bom se todos fossem felizes. Vamos ser mais solidários, vamos ajudar mais, amar mais e com certeza seremos mais felizes. Tenho certeza de que um simples brinquedo fará surgir um sorriso alegre em um rosto que o ano inteiro é triste, amargurado. Neste Natal vamos cultivar a paz, o amor, a felicidade! Que você tenha muita saúde e determinação na realização dos seus sonhos e que consiga aquele presentinho que tanto sonhou e possa sorrir muito!!

FELIZ NATAL!

Helio Filho

ps: O Hideout está de cara nova! Espero que tenham gostado do novo layout :*

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21 de dez de 2010


"Quando algo que você gosta acabar ou simplesmente ir embora lembre-se que as folhas do outono não caem porque querem e sim porque é chegada a hora"

Autor desconhecido.

2 ANOS DE BLOG!

19 de dez de 2010



 E hoje dia 19 de dezembro o Hideout of a dreamer completa dois anos! Nossa como o tempo passou rápido! Parece que foi ontem que criei esse cantinho onde falo sobre um pouco de tudo nas minhas férias de 2008! O antigo “My impressions” hoje é um espaço muito especial pra mim pois durante esses dois anos conheci pessoas maravilhosas que sempre estão aqui comentando, lendo os posts, dando suas opniões e me dando todo apoio e força de sempre.
E é a todos vocês que hoje agradeço! Obrigado por estarem aqui me aturando durante esses dois anos e comentando sempre nos posts com todo o carinho e paciência! Na verdade não foram dois anos, mas um ano e alguns meses já que em 2009 eu quase não postei aqui devido aos meus estudos para o vestibular! Mesmo assim, esse foi o ano que eu mais postei aqui e o ano que mais pessoas conheceram o blog e espero que ano que vem mais leitores possam conhecer o Hideout! Espero também que vocês tenham gostado dessa semana especial de posts! Tentei falar sobre um pouco de tudo que sempre falei aqui e claro mostrar o meu Curta que muitas pessoas queriam ver! Quis postar todos os dias da semana justamente para  suprir a falta da promoção que falei que queria ter feito (fiquei super triste por não ter feito), mas prometo que no ano que vem farei uma bem legal! Aguardem!  

E para comemorar trouxe a vocês o videoclipe da música "Meu aniversário" da Vanessa da Mata! É mto legal, espero que gostem! Um abraço,

Helio Filho

Meu primeiro curta: Coríntios 13

18 de dez de 2010


 E finalmente trago a vocês o meu primeiro trabalho feito na Universidade! É um curta bem simples, resultado de um projeto da disciplina Linguagens e expressões cinematográficas que fiz no primeiro semestre. Teríamos que testar alguns dos conhecimentos que adquirimos e fazer um curta com apenas oito planos, ou seja, com apenas oirto cortes de uma cena para outra. Gravamos em agosto e foi muito legal e divertido pois além de ser assistente de direção também fui ator e contracenei, fazendo um papel de advogado! Por órdem da professora o curta não pôde ter diálogos, mesmo assim ficou muito bom e superou muito minhas expectativas!

Corra Lola, Corra

17 de dez de 2010

E na semana do aniversário do Hideout of a dreamer é claro que não poderia deixa de falar de filmes! Faz um bom tempo que não faço nenhuma crítica ou sequer algum comentário aqui, mas como já falei milhares de vezes foi devido a falta de tempo. E por incrível que pareça minhas habilidades para criar histórias e contos são maiores do que fazer críticas de filmes, por isso que sempre faço mais histórias, acho que por que prefiro mais criar do que analisar.

Há algumas semanas atrás assisti um filme muito legal na aula de narrativas audiovisuais. Estávamos estudando sobre cinema e games, então o professor achou legal que assistíssemos “Corra Lola ,Corra” ( Lola rennt) em sala de aula. Desde de que assisti o filme pensei logo em fazer um post aqui no hideout por que ele é muito legal mesmo. Corra Lola, Corra se assemelha muito com a linguagem dos jogos de vídeo game devido a possibilidade que o diretor Tom Tykwer criou em dar três finais diferentes ao filme (como se fossem vários rounds dos jogos) e também nas músicas usadas e nas cenas em que animações são utilizadas. É tudo muito diferente e interessante.

Rosas desafinadas

16 de dez de 2010

O dia era uma mistura de primavera e outono, o sol aparecia tímido por entre as árvores e de vez em quando um sabiá cantava para alegrar aquela rua pacata. Ouvia um barulho de longe, enquanto algumas crianças brincavam alegres no jardim. Mas o som aos poucos foi se transformando em pequenas lembranças, sentimentos contidos de um ser que agora vira o tempo passar. As crianças corriam, brincavam na grama úmida de um dia que nunca teria fim. E o ser triste, apodrecido em um banco de madeira sujo agora era um rastro melancólico da dor física do tempo. O tempo que nunca mais voltou e o mesmo tempo que passava enquanto suas nostálgicas sensações apareciam na sua mente. Eram gargalhadas inocentes, fantasiosos sinais de um tempo em que tudo era uma simples brincadeira. Um tempo que deveria ser eterno e nunca acabar. Lembrava dos seus sonhos, das suas músicas preferidas e daquele seu jeito de ser. Das brincadeiras feitas com os amigos, das travessuras das tardes de domingo, dos primeiros conhecimentos na escola. Lembrou dos lugares por onde passou, de uma tarde de inverno chuvosa onde seu conforto estava no abraço forte de seus avós. Dos amigos que um dia conheceu, mas que hoje em dia haviam partido e seguido rumos completamente diferentes. Como tudo havia mudado e como o tempo passara depressa. O mundo parecia diferente agora. Sua real certeza era de que seu tempo havia acabado e um novo mundo surgira para ocupar aquele que nunca teria um fim. As crianças brincavam alegres enquanto suas mães satisfeitas vigiavam seus pequenos seres. Nesse momento uma lágrima triste descera e molhou a terra seca. Não sabia o por que de estar chorando no meio daquela praça, em um dia lindo que ainda estava começando. Apenas ouvia o som de rosas desafinadas, alegres, compartilhando entre si a trilha da vida que apenas começava a brotar.


Helio Filho

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15 de dez de 2010

"E toda noite de insônia eu penso em te escrever, pra dizer que teu silêncio me agride."

(Engenheiros do Hawaii)

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"Quanto tempo demora? - perguntou ele. - Não sei. Um pouco.
Sohrab deu de ombros e voltou a sorrir, desta vez era um sorriso mais largo.
- Não tem importância. Posso esperar. É que nem maçã ácida.
- Maçã ácida?
- Um dia, quando eu era bem pequenininho mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs."

(Khaled Hosseini em: O Caçador de Pipas)

Música da semana - Malibu ( Hole)

14 de dez de 2010
Enfim estou de férias! Minha corrida vida na universidade parou por um tempo e agora poderei descansar mais e claro postar aqui no blog, o que amo de paixão.Como essa é a semana do aniversário do Hideout irei postar todos os dias! Então vou falar sobre um pouco de tudo que sempre falei aqui, como poesias, poemas, meu cotidiano,meus contos, filmes e claro música!!
Tenho uma novidade!

Ventos que sopram

11 de dez de 2010

E eu acreditava que o esforço dos fracos era apenas mais um gesto de autoconfiança. Remotos sentimentos de medo, palavras ditas que me fizeram pensar em buscar o melhor, cenas iludidas por um futuro guardado dentro de uma garrafa de vidro, a voz do saber que grandiosa por sua superioridade inquietou-se quando percebeu que erros são mais difíceis de serem decifrados.
Mas hoje o castelo caiu.  E o tornado que passou furioso não mais é do que um simples vento. Não contive meus medos, mas sei que os ventos sopram e passam, assim como a leve brisa do mar que acalma nossos pensamentos cai sobre o rosto tênue da incerteza.
Que esses ventos levem consigo todos os pensamentos antigos. O baú fora aberto e as lembranças roubadas por eles pairaram no ar a procura de um novo lugar para se esconderem.

Por que certas lembranças não merecem serem lembradas. Temos que lembrar do que ainda vai acontecer e esquecer rostos e palavras incertas.

Helio Filho

Dezembro

4 de dez de 2010

Confesso que queria fazer este post no dia primeiro, mas por motivos maiores ( isto inclui minha vida corrida na universidade e milhões de trabalhos para fazer) acabei não realizando. Dezembro é a época no ano que eu mais gosto por ser a época do Natal. Gosto muito desse espírito de festa, de pessoas alegres procurando a felicidade, enfeitando suas casas com pisca-piscas, colocando as árvores nas salas e claro, comprando os presentes para aqueles que amam! Eu amo presentes. Se você quiser me dar algo legal, compre um livro, cd ou um filme que irei adorar hahahaha! Pena que isso não acontecia nos amigos ocultos que participei no colégio, as pessoas só me davam coisas estranhas e que não tinham nada a ver comigo, mas eu gostava, afinal eram presentes né..

E o importante é ser você

28 de nov de 2010

Na semana passada uma tia minha falou uma coisa que me deixou super triste. Estávamos conversando sobre vários assuntos até que começamos a falar de um primo pequeno que tenho (super legal por sinal) e ela na maior sinceridade disse na minha frente que se ele não se alimentasse direito iria ficar igual a mim: alto, magro e seco. Naquele momento me senti um ser de outro planeta, um alienígena que aterrisou  e adentrou sua casa no momento em que vi seu olhar de desprezo me cercando por todos os lados.

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Temos que ser nutridos, expelir excrementos, e respirar para nossas células não morrerem. O resto é opcional. The Big Bang Theory

Quando o dia chegou

27 de nov de 2010
Ela acordou com o barulho dos pássaros. Eram quatro e meia da manhã, tudo escuro. De repente um deles apareceu do nada e gritos que vinham de longe atormentavam sua cabeça confusa, inquieta daquela madrugada cinzenta e fria do inverno. Na mesa da cozinha estavam cinco bolachas mordidas, eram cinco mordidas pequenas. Deviam ser de sua prima pequena. Ela sempre comia suas bolachas. No canto esquerdo um pote de geléia italiana importada. Presente de sua querida tia. Ah, como aquele dia estava sendo péssimo.

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20 de nov de 2010

"Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor…é para isso que vivemos."

(Do filme: Sociedade dos Poetas Mortos)

O que eu vejo

12 de nov de 2010
Eu vejo pessoas que querem o mundo de outro jeito. Eu vejo o jeito do mesmo jeito e o sonho da mudança ainda estar por vir. Jamais terei o tempo que agora tive e os momentos passaram por meus olhos como reflexos dispersos, vagos, em vão. Ora, coisas banais são tão percebidas pelos sábios, por que então as mais sábias não foram sequer importantes para mim? Talvez eu não seja sábio o suficiente, ou quem sabe minha sabedoria seja diferente da sua. Minto. Elas foram importantes sim, mas o conteúdo fora abstraído e interpretado de forma diferente. A arte é diferente, o mundo é diferente, mas agora ele continua o mesmo, intacto do mesmo jeito. Quero poder ajudar, ser mais um a pensar de outra forma. Serei as palavras sábias de Balzac ou quem sabe os poemas simples de Fernando Pessoa. Não quero ser comparações e formas aleatórias de palavras, quero ser como o tijolo concreto que fincado ao chão reafirma sua solidez. Solidez rara nos dias efêmeros. O sol queima nossas peles, e o suor espalha-se pelo corpo. Veremos a vida dolorosa como ela é e os seres que nela putrefam querendo apenas respirar. Somos o lixo que jogamos fora. Somos aquilo que queremos ter. Palavras ditas que nos fazem pensar no mundo, minutos, segundos, horas, aqui, agora.

Helio Filho

O sonhador

8 de nov de 2010

Eu não tenho forças pra falar o que quero. Sou apenas uma alma fraca, sem ritmo, sem música, solta pelo ar a procura de uma sombra qualquer. Minhas cores se apagaram, restam agora meros feches pretos que cobrem minhas lúcidas transparências. Eu sou uma alma sem cor, impura por palavras sem nexo, desgastadas pelo tempo, sem rimas, inconstantes. Eu quero correr pela rua. Quero resgatar minhas forças. Meus sonhos estão bem guardados e agora minha consciência fala mais alto que minhas atitudes. Pense bem. Eu não diria palavras repetidas para afirmar o que sinto. Eu não consigo recitar poemas, eles são muito difíceis. Acho frases imperfeitas mais bonitas. As minhas letras misturadas formam sentidos que são mais verdadeiros. Não vou mentir para mim mesmo. Agora tudo já está muito claro. Apenas quero ir de encontro a você. Devolva minhas cores, minhas músicas, minhas rimas. Elas são iguais as suas. Acho que por isso fugiram de mim e foram ao seu alcance. Mas e eu? Ficarei aqui? Onde está a parte que também me completa? Não tenho dúvidas que você encontrou. Vejo uma imagem no horizonte, um olhar profundo de alguém distante. Ouço uma voz baixa de tons esverdeados misturados com toques macios de ternura e sinceridade. Vejo o que não existe. Vejo o real que ainda não está na minha realidade. Tudo isso poderia ser um simples sonho onde eu poderia agora acordar. Mas eu gosto desse sonho.  Eu sonho demais.

Helio Filho

Essência

5 de nov de 2010
Tudo teria um fim. Férias, pessoas, casa na praia, amigos, colégios, matérias, professores. Tudo iria desaparecer. Roupas, sapatos, sandálias, perfumes, argolas. Esconderia tudo. Braceletes, pérolas, colares, canetas, cédulas, viagens, maquiagens, lembretes, orkut. Não fariam mais parte do seu ser. No lugar de diamantes,  televisões, restaurantes caros colocou um ponto final singelo. Sufocando-se na imensidão de seus passos que se esvaziavam, coisas superficiais deixadas para trás. Iria correr e ver o mar, o por-do-sol , a praça que ficava a alguns metros da sua casa.Não pensaria muito alto . Não teria ambições. Sua vida era mais importante que presentes, músicas, lugares que causavam admiração. Embora soubesse que poderia ir mais além, conteve-se com o que a vida lhe dera, seria feliz assim, no seu mundo simples, com quem realmente se importava, com seu mundo arquitetado por ideais singelos, verdadeiros, entrelaçados por músicas coloridas, verdes perfumes, doces imaginações, seres fantasiosos, um mundo aconchegante. Andaria pelos rios a procura de um horizonte harmonioso, e veria nas nuvens as respostas do tempo que lhe causara tanto medo. Prometendo não ir muito além, descansou um pouco nas poucas tardes do outono, quando as gaivotas corriam juntas a procura de um lugar melhor. Talvez ele estivesse ali mesmo, onde ela estava. Ou talvez nunca existisse se não nos seus próprios pensamentos. Querendo ou não, estava disposta a lutar pelos seus ideais, mas não imersa em mundos fulos, superficiais. Não olharia para os rios, nuvens, praças a procura de uma substância, mas de uma essência que a fizesse verdadeiramente feliz.

Helio Filho.

O dia deveria ter 50 horas

28 de out de 2010
Ultimamente estou completamente sem tempo de vir aqui. Nunca pensei que um curso tomaria tanto o meu tempo e só agora vejo o que é realmente trabalhar com uma equipe para fazer um filme. Sim, depois de um semestre e meio de aulas teóricas (algumas bem chatas até) finalmente irei gravar meu primeiro curta-metragem. Na verdade será o meu segundo curta, porém digo que é o primeiro, pois esse terá uma produção muito maior que o anterior, iremos usar câmeras profissionais, computadores de última geração, efeitos, aparelhos de som, coisas que no primeiro curta não utilizamos pois foi algo apenas para testar nossos conhecimentos. Ainda não consegui colocar no youtube, mas assim que der posto aqui pra vocês verem :)

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23 de out de 2010

"Passei a vida tentando me explicar quando o que mais desejo é viver sem explicação."

(Fabrício Carpinejar)

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17 de out de 2010



Adoro essa música, adoro esse clipe. =)

e como ela diz.."Nothing's gonna change my world".

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15 de out de 2010

"Quando sinto uma terrível necessidade de viver,
saio à noite para pintar as estrelas."

(Vincent Van Gogh )

Um olhar pro horizonte

12 de out de 2010

Tornara-se rotina  esconder o rosto quando saia de casa. Um chapéu de seda preso nos cabelos encaracolados, óculos escuros no rosto branco, delicado e a maquiagem que lhe dava um ar de seriedade que aparentemente não devia ter. Precisava ter mais maturidade, ou talvez aparentar ser mais velha, seja como for gostava da cor negra, pois esta causava-lhe medo e os tons escuros escureciam sua personalidade infantil que detestava. Foram dias tentando resolver os cálculos no seu caderno negro, mas eles eram exatos  e sempre davam certo ao contrario de sua pessoa que era um conjunto de dúvidas que nunca tinham um fim.  As portas que desenhava desdenhavam da sua imagem que não parecia ser nem um pouco singular, por mais que tentasse ser  alguém completo não conseguia, sentindo inveja das suas criações por nunca poder ser que nem elas, que tinham formas definidas, tamanhos iguais e um mundo as sua espera. Suas pequenas mãos delicadas estavam ficando cada vez mais calejadas, quando de frente para um espelho grande começava a escrever. Vendo sua imagem refletida, tentou nas palavras conseguir encontrar o significado do seu ser , mas decepcionou-se quando percebeu  que elas fugiam  sem ao menos dizer seus nomes e sem dar nenhuma satisfação. Ela não possuía palavras,  entendeu assim que sua imagem não tinha significado.

Perdendo-se  nos caminhos que refletiam ao encontro da luz do sol, ela olhou diretamente pro horizonte infinito que estava em sua frente. Percebeu então que ele também não possuía nem forma nem tamanhos definidos, mas uma beleza incomparável e um pensamento de um futuro grandioso, perseverante que poderia estar ao seu alcance.  A  beleza do horizonte a tocou profundamente fazendo a escuridão da sua imagem rude evanescer de sua alma, agora pronta para a partir daquele instante trilhar caminhos que poderiam ser incertos, tortos, mas corajosos e repletos de sinceridade e coragem.

Ela na realidade  queria apenas ter um caminho a seguir e palavras que descrevessem o seu ser, mas não via que ela própria já era sua essência que ainda não fora  sequer descoberta.

Helio Filho

O Mundo é um Moinho

10 de out de 2010


"Ainda é cedo amor, mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Presta atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
E em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés"

Cartola

Do outro lado com Gabi - Parte 4 (Final)

9 de out de 2010
 Oi gente! Enfim chegamos ao final da história da Gabi! Não poderia deixar de agradecer a todos que tiveram paciência de ler e comentar em todas as partes, fiquei muito feliz mesmo em ver os elogios! Agradeço também a meus colegas Matheus, Guilherme e Iasmin, pois sem eles a história não existiria, e a meu professor Guilherme Sarmiento por ter proposto essa atividade tão legal de ir a um museu e criar uma história com base nos cômodos dele! Prometo que vou tentar escrever mais "séries" deste tipo aqui,adorei o resultado dessa.. agora divirtam-se com o final!  :D


Marília Gabriela saiu da cozinha muito assustada. Seus cabelos, não sabia o porquê, estavam todos molhados, e ela já não mais se sentia maravilhosamente bem. Uma ânsia de vômito lhe invadiu, mas nada lhe saiu da boca. Olhou rigorosamente para um altar de madeira que no momento estava vazio. Pensou que talvez devesse comprar uma Virgem Maria e presentear os habitantes do casarão, afinal eles haviam lhe concedido “entrevistas” tão interessantes. Decidiu comprar uma Virgem bem graciosa, talvez até com toques em ouro para combinar com os ornamentos do altar.
Ouro. De alguma forma essa palavra lhe despertou algo há algum tempo já esquecido, como perfumes despertam antigas dores de amores vividos. Lembrou-se de repente que não podia comprar presente algum, nem sequer um alfinete, pois não estava com sua bolsa, sua Chanel. Onde havia deixado sua bolsa não sabia, só imaginou que a aquela altura do campeonato já deveriam ter surrupiado sua bolsa. Sua face distorceu-se em tristeza. Havia perdido logo aquela bolsa, que havia sido um presente de...
- Reynaldo!
- Oi, Marília! – respondeu o homem que aparentemente havia saído do nada.
- Como é possível? O que você está fazendo aqui? De onde você veio? – disse a entrevistadora de um só fôlego.
- Calma. Você como sempre, fã de perguntas. Eu vim devolver sua bolsa – falou Reynaldo estendendo seu braço direito.
- Mas isto não é uma bolsa! Isto é um balde!
‘Francamente’, pensou Marília, ‘de todas as burrices que tive que aturar em anos de relacionamento, essa é a pior. ’
- Olha, é mesmo um balde! E ele está cheio! – e dizendo isso, o bonito rapaz joga um jato de água na cara da jornalista.
Marília achou que estava se afogando. Lembrou-se de quando era pequena e quase havia morrido no mar. Um pescador lhe salvou a vida na época. Perguntou-se quem lhe salvaria, agora que estava se afogando novamente. ‘Provavelmente ninguém’, pensou. Achou que ia morrer e fechou os olhos. Decidiu parar de lutar e pensou, com um misto de melancolia e felicidade, que após tantos anos ela realmente iria poder descansar. Para sempre.
- Ela acordando!
- Sim. Que bela idéia essa de jogar água na cara dela! A dona quase morreu afogada – disse o velho porteiro, meio raivoso, meio aliviado – Dona, a gente achou que a senhora tinha morrido. Jogamos dois baldes na sua cara e a senhora nada de acordar!
- Ora, o que aconteceu? – perguntou Marília Gabriela a ninguém em particular. Ela estava meio atordoada e sua visão estava turva. Suas roupas estavam empapadas de água e seu cabelo precisava urgentemente de um pente.
- Ah, dona. A senhora teve um treco e caiu da escada – disse o porteiro muito solidário – A senhora subiu algumas escadas e depois eu vi que a senhora começou a passar mal, e logo depois caiu. Foi tudo muito rápido. Daí eu saí e chamei a primeira pessoa que eu vi passando pra me ajudar com a senhora.
- Deve ter sido o calor! – falou um outro homem. Era jovem e devia ter uns dezessete anos. Tinha uma cabeleira encaracolada e pela cara que fazia devia estar achando muita graça em tudo aquilo.
- Entendo – disse Marília calmamente. Sua memória agora aflorava. O restaurante. O sanduíche. O museu. As escadas. ‘Devo ter passado mal com o atum’, pensou.
- Bem, muito obrigado os senhores. Sou muito grata pela ajuda – falou uma agora enérgica Marília Gabriela.
Ela se levantou, ajeitou a roupa e pegou sua bolsa:
- Devo ir agora para o meu hotel – disparou, e muito rapidamente se esgueirou para fora do museu. Ouviu os dois homens falarem algo sobre ir ao hospital, mas ela simplesmente acenou e foi embora.
Seu corpo estava todo dolorido, e ela tinha certeza que havia fraturado seu dedo mindinho, mas não se importou muito com isso. Seus pensamentos estavam à mil, e ela travava uma batalha consigo mesma: ‘deveria acreditar ou não em tudo o que lhe acontecera naquele casarão? Aquelas, digamos assim, entrevistas, realmente aconteceram?’ De uma coisa sabia, ela não havia passeado fisicamente pelo casarão, mas sua mente, de alguma forma havia passeado. Ela imaginou que se Reynaldo não tivesse se materializado em seus devaneios, ela nunca iria ter acordado. Talvez até somente a imagem absurda dele num museu teria sido suficiente para despertá-la. ‘Reynaldo visitando um museu é uma idéia que ressuscita até os mortos’, pensou Marília Gabriela rindo baixinho.
Cogitou rapidamente compartilhar sua experiência transcendental na palestra de mais tarde, mas logo descartou essa idéia. Além do fato de que todos iriam achar que ela estava tresloucada, não seria justo revelar ao público histórias de dor e sofrimento, histórias essas que pertenciam a pessoas que nem sequer estavam possibilitadas de dizer se concordavam ou não com tal exposição.
- Essa é a verdadeira ética do entrevistador, - pensou Marília - saber respeitar e saber a hora de manter um segredo. Com essas conclusões em mente, Marília Gabriela apressou o passo para chegar ao hotel. No caminho ela fez, silenciosamente, um juramento: o de nunca mais comer nada que tenha sido pescado diretamente das águas do rio Paraguaçu. 

FIM

* por Iasmin Coni

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3 de out de 2010
"— Não fica assim (...) não é o único circo do mundo. Ano que vem chega outro e daí tu foge com ele. Pode ser até que dessa vez eu tome coragem e vá junto contigo."

(Caio Fernando Abreu)

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"Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos,
cantaremos o medo, que estereliza os abraços."

(Carlos Drummond de Andrade)

Votando pela primeira vez

2 de out de 2010

Isso mesmo. Esse ano tem eleições e desta vez votarei pela primeira vez assumindo meu papel de cidadão brasileiro. Aqui no Brasil como todos nós sabemos o voto é obrigatório a partir dos dezoito anos de idade, mas se jovens com dezesseis quiserem votar, podem também, coisa que não fiz, pois como todo mundo, deixei pra fazer o título de última hora fazendo minha mãe desistir da idéia, afinal os cartórios nessa época ficam muito cheios.

Mas esse ano fui esperto e fiz meu título logo em janeiro, me livrando dessa correria das últimas horas. Enfim, escolher presidentes, deputados, governadores, senadores nunca foi do meu agrado e sempre odiei essas épocas do ano, principalmente por que aqui na Bahia os carros de som fazendo propagandas de candidatos não param de circular pelas ruas na altura máxima. É irritante. As aulas na Universidade nesses tempos de eleições foram constrangedoras para os professores que toda hora tinham que parar de falar e esperar um deles passar com aquelas musiquinhas horríveis e que ficam na nossa mente sem a gente perceber. Ao contrário de muitas crianças nunca fui com meus pais no dia das eleições apertar o botãozinho da urna, pra vocês verem meu interesse. É ,não gosto de política, nem de direito. Mas como toda pessoa escolarizada, sei de suas importâncias em nossa sociedade.

Escolher candidatos é muito além de cumprir meu dever de cidadão. É  saber olhar pro futuro, pra uma geração que estar por vir. É olhar pra o nosso país na esperança de vê-lo menos desigual e cada vez melhor. É saber escolher pessoas certas, que vão realmente cumprir seus papeis, não beneficiando apenas uma classe ou ideais motivados por religiões, mas tudo de uma certa forma, de maneira igual, verdadeira.

As pessoas queixam-se da política brasileira atual. E com toda razão. Mas temos que pensar pra frente e ver que só nós mesmos podemos mudar essa situação. E  a hora é essa, votando conscientemente, sem serem influenciados por ninguém, com seus próprios ideais.  Não vou aqui dizer em quem vou votar, apesar de já ter decidido. Mas dizer que votem consciente, nas pessoas certas, talvez esse Brasil mude um pouco com esse pequeno esforço, e é isso que vou fazer.

Do outro lado com Gabi - Parte 3

28 de set de 2010

   Tentando achar a cozinha da casa, Marília Gabriela caminhou em direção a uma porta grande de madeira. A porta era verde, haviam teias de aranha em suas bordas e marcas de sangue que diziam palavras que certamente um dia iria saber. Sem perceber deparou-se com uma varanda que dava para uma paisagem repleta de casas e árvores. No fundo, o rio Paraguaçu corria vagamente, fazendo a grande cruz de uma igreja da cidade de São Felix, no lado oposto onde estava, parecer mais esplêndida e maior. Ao lado esquerdo de uma parede, uma escada de pedra surgia terminando em um ambiente sujo. Lá estavam escravos que descansavam um pouco enquanto seus patrões conversavam, ocupados, no andar de cima. De junto da escada, uma janela de madeira mostrava uma mesa escura grande, com quatro cadeiras. Em cima dela estava um jarro de cerâmica com uma flor murcha, no canto esquerdo um copo de cerâmica velho junto de folhas espalhadas que pareciam enfeitar o lugar. Ela havia encontrado a cozinha da casa.
   Andando vagarosamente pelo local, avistou duas grandes moringas que estavam bem próximas da mesa e assustou-se quando o espírito de uma criança negra puxou a barra de sua saia.
   - Sinhazinha quer um copo D’água?- disse o espírito meio tímido.
   - Com gelo, por favor- falou Marília como se aquilo tudo fosse a coisa mais normal do mundo.

   - Gelo?  Mas o que é isso?
   - Esquece! Ô espírito burro! Não sei como essa gente conseguia viver nessa época!
   A criança agachou-se e meio bamba pegou a moringa que quase tinha o dobro do seu peso, deixando a água cair no copo, continuou:
   - Sinhazinha é nova por aqui não é?
   - Sou sim- disse Marília sentando-se na velha cadeira de Jacarandá - Mas e você quem é?
   - Sou Joaquim, seu criado! Ainda sinto as dores na minha perna esquerda. Os copos que caíram no chão machucaram ela quando mamãe correu do sinhô Jacinto naquela noite - disse o garoto.
   Marília meio sem jeito olhou para baixo e viu uma perna negra e pequena, suja de poeira, parecia cansada. Nela uma cicatriz triste estava marcada como uma tatuagem escura, nos seus olhos um ar de pena.
   - E por que ela correu dele?- falou a jornalista.
   - Por que ele queria beijá-la.
   Um vento frio passou pelas janelas, bagunçando os cabelos de Marília. Assustada, tentou correr para se proteger, mas quando menos esperou viu uma negra alta, de cabelos encaracolados surgir pela porta. Parecia aflita, estava vestida com pedaços de pano velhos e carregava copos em suas mãos. Logo depois, um homem bem vestido tentava agarrá-la à força, rasgando suas vestes, deixando os pratos que estavam na pia cair por todos os lados. Percebendo que a negra iria perder o equilibro, a jornalista tentou correr para alcançar os copos que caiam de suas mãos, mas eles, como nos filmes de ficção, atravessaram as suas, caindo no chão e se partiram em pedaços, que cortaram a perna do garoto que estava de baixo da mesa ouvindo tudo. Joaquim gemia de dor, o senhor da casa violentava a negra e Marília via toda aquela cena sem poder fazer nada.
   - Escuta aqui! Você vai se preso em nome da lei Maria da Penha! Estupro é crime, está me ouvindo? Responda!
    Marília vendo que o que falava não adiantava em nada correu para fora da cozinha à procura de ajuda. Para seu azar não encontrou ninguém. O tempo agora estava nublado, alguns pássaros se escondiam por entre as árvores. Ela, junto de um guarda-louça antigo, pensava naquele lugar, e no quanto os escravos sofriam naquela época, aos sons do grito da negra. Olhou para os lados e avistou uma passagem que dava para um quarto, porém antes de entrar nele voltou à cozinha para tentar dar um basta naquela situação, mas não havia mais ninguém nela.

( Continua com a quarta e última parte)

* por Helio Filho


Leia a última parte!
26 de set de 2010
Já me viste rindo
nas fotografias?
Não adianta rever.
Sou mais fotogênico
na tristeza.

Fabrício Carpinejar
“Se não consegues entender que o céu deve estar dentro de ti, é inútil buscá-lo acima das nuvens e ao lado das estrelas. Por mais que tenhas errado e erres, para ti haverá sempre esperança, enquanto te envergonhares de teus erros.”

Chales Chaplin
25 de set de 2010

"De todas as coisas que eu tive, as que mais me valeram, das que mais sinto falta, são as coisas que não se pode tocar, são as coisas que não estão ao alcance de nossas mãos, são as coisas que não fazem parte do mundo da matéria".


Lourenço ( Selton Melo) em " O Cheiro do ralo".

Do outro lado com Gabi - Parte 2

21 de set de 2010

   A jornalista percorria os caminhos do casarão. Deixava-se guiar aleatoriamente sobre as longas tábuas de madeira que lhe sustentavam os passos. Sacudia a cabeça de um lado para o outro, a fim de fisgar algo que lhe despertasse entusiasmo. Sua face impressionava-se com a dimensão das portas da casa. Eram altas, largas e quadradas.     Admirada e boquiaberta as contemplava com o estranho interesse de possuir uma idêntica àquelas em sua residência. Mas, para que?  Parou diante de uma delas. Abriu os braços. Cerrou os punhos. Também os olhos, com força. Assim permaneceu durante instantes. E então, em um exercício de sua fantasia, imaginou-se segurando, com generosíssima vontade, inúmeras sacolas de shopping, grandes e recheadas, o número suficiente para adentrar em sua casa sem ser coagida, constrangida ou sufocada pelas estreitas paredes.
   – Ah! Que sonho. Disse Marília Gabriela sorrindo consigo mesma. – Portas altas, largas e quadradas tornam uma mulher mais feliz!
   Assim ela se conservou. Logo, começou a girar devagarzinho o próprio corpo sob a porta, assim como uma criança feliz que dá rodopios sob a chuva que a molha.  Girava e girava cada segundo mais rápido. A porta larga, alta e quadrada lhe fazia feliz.
   Consumia-se em giros enlouquecidos quando de repente seus ouvidos escutaram berros agudos em um cômodo próximo de onde estava.

   – Malditos! Como ousam atrapalhar esse momento! Esbravejou a jornalista entontecida, ainda em transe.
   Chapou-se de tanto rodopiar. Terminada a ilusão sentiu-se profundamente desgostosa com a tontura. Seus olhos giravam. As mãos lhe seguravam a cabeça na tentativa de alcançar alguma estabilidade, mas de nada adiantou. Tentava passos corretos, mas não conseguia, falhava, estavam loucos, sem direção.
   Os gritos misteriosos não descansavam, persistiam. Numa fração de segundo Marília Gabriela também começou a gritar de onde estava, ainda sob a porta. Arreganhava a boca e gritava feito monstro. Do outro cômodo ouviam-se ecos de gritos que superavam os dela. Um grito aqui outro acolá. Estavam competindo.
   – Que absurdo! Que faço gritando como um animal? Perguntou a jornalista para si mesma, estranhando-se. – Comporte-se! Continuou ela, dando-se uma ordem.
   Resolveu caminhar em direção aos gritos constantes que ouvia. Arriscou alguns passos. Estavam atrapalhados. Mas, como mulher corajosa e firme nas decisões que era, continuou sem hesitar. Ora passos largos, ora curtos. Apoiava-se nas paredes para não cair.
   – Será uma vergonha se cair aqui, nesse chão desconhecido! Pensou consigo.
   Caminhou um pouco, mas seu corpo vacilante esbarrou numa arcaica e pesada máquina de escrever que estava sobre um suporte delicado e vacilante, semelhante a ela.  Todos foram para o chão. Marília caiu de braços abertos e bateu a cabeça. A máquina quebrou o chão da casa. O suporte fragmentou-se.
  
Constrangida e consciente do estrago feito na casa, procurou recompor-se de imediato.
   – Eu não vou pagar a reforma deste chão. Disse ela ao bater a mão no peito e ao sacudir o dedo indicador de um lado para o outro.
   Passado o efeito do torpor causado pelo giro, pôde se concentrar nos gritos persistentes. Marília Gabriela chegou até um quarto. Contemplou a imensa porta e sorriu. Os gritos emanavam deste local. Entrou, mas não havia nada por ali, nem pessoas e nem móveis. De imediato avistou outra porta, essa ao fundo do quarto. Correu até lá e encontrou uma linda jovem aos berros.
   – Cale-se, garota! O que se passa com você? Por que de tanto grito? Você tem nome?  Perguntou a jornalista em um único disparo.
   A jovem, aliviada, colocou-se junto de Marília Gabriela. Enxergou na velha mulher uma esperança.
   – Finalmente o socorro pelo qual tanto supliquei! Espero por esse momento há anos. Respondeu a jovem esperançosa com os dedos entrelaçados junto à face. – Chamo-me Emmanuelle, sou filha do dono desta cidade, Jacinto, dono do maior engenho de açúcar de toda região. Continuou a jovem toda presunçosa.
   – Quanta arrogância garota! Disse a jornalista.
   – Arrogância é para quem pode. Eu posso.
   – Os homens não devem suportá-la!
   – Você está enganada. É por causa de um que estou presa aqui.

   – Como? Explique-me melhor, com detalhes essa história. Pediu Marília Gabriela.
   – O quarto pelo qual a senhora passou antes de chegar até mim são de meus pais. Eu estou prometida para um homem, um banana que meu pai arranjou para mim. Mas eu gosto mesmo é de encontrar-me às escondidas com outro, é com este que desejo ficar. Explicou Emmanuelle.
   Marília Gabriela a escutava com toda atenção e olhar clínicos, quando lhe perguntou:
   – Muito bem, mas o que o quarto tem a ver com seu dilema?
   – É no quarto que estamos que fico presa todas as noites. Durante o dia me vigiam, durante a noite são as paredes que fazem a tarefa. Não há janelas, apenas quatro paredes sufocantes e meus pais logo em frente de prontidão. Respondeu a jovem cabisbaixa.
   – Você realmente vive um drama romanesco, minha jovem. Pertinentes colocações você fez. Concluiu a jornalista.
   – Ele é um homem lindo. Branco, fino, distinto, elegante, atlético e... quente! Suspirou Emmanuelle
   – Como se chama esse singular rapaz?
   – Naldo! Meu Reynaldo Gianecchini! Completou a jovem.
   O nome composto proferido pelos lábios de Emmanuelle desconstruiu Marília Gabriela assim como a implosão de um edifício. A jornalista pasmou, empalideceu. Ficou sem reação por instantes. Sua postura ética de jornalista fragmentou-se como espelho partido. Transpirava de ódio. Sua voz vacilante gaguejou algumas palavras:

   – Como? O meu Reynaldo?  Ainda tenho esperanças de reatar relações com ele.
   – Eu lamento senhora, ele é meu objeto agora. Afirmou Emmanuelle.
   – Senhora o cacete, sua jovenzinha arrogante!
   – Estou apenas sendo educada com os mais velhos. Meus pais me ensinaram dessa forma.
   – Também te ensinaram a ser vagabunda, não é mesmo? Esbravejou Marília Gabriela irritada.
   – Fique calma senhora, sua vez já passou. Ele quer carne fresca, e a sua já está moída. Procure um parceiro para jogar dominó aos domingos na praça. Respondeu a jovem calmamente ao delinear o contorno do corpo com as mãos. – Ainda vai me ajudar, não é mesmo?
   – Eu quero que você morra nesse quarto! Definhe e vire um cadáver putrefato! Só não lhe parto a cara porque...
   –... Está velha e fraquinha. Interrompeu Emmanuelle.
   – Só não lhe arrebento porque você irá se arrebentar sozinha aqui dentro! Morra menina! E afaste-se do Reynaldo! Afaste-se! 
   Marília Gabriela estava com os nervos aflorados. Deu as costas para Emmanuelle e não permitiu que falasse qualquer coisa a mais. Corria aflita. Estava com a garganta seca. 

(continua)



* Feito por Guilherme Bronzatto


Leia a parte 3! ( a que escrevi)
19 de set de 2010

"Algumas pessoas se destacam para nós (...) Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é (...) Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor. "

(Ana Jácomo)

Shiny Toy Guns

18 de set de 2010
Dando uma pausa na história da Gabi, hoje venho aqui mostrar a vocês uma música muito legal de uma banda que acabei de descobrir navegando na net. SHINY TOY GUNS é uma banda de indie rock americana, radicada em Los Angeles, California que teve origem em 2002. Le Disko e You Are The One são duas de suas músicas mais famosas. A primeira por ter sido tema em uma propaganda de celulares da companhia Motorola. Já a segunda, por ter sido a canção de abertura do jogo de futebol para consoles e computador FIFA 2007, da Eletronic Arts.

Ouvindo o myspace da banda adorei a música Frozen Oceans, lindíssima. Confiram!!


Frozen Oceans

I can't sleep
I've lost the urge to sing
No one's left a friend
The cost of ill pretend
Where'd you go?
I need you now
I said ooh-ooh

Ten thousand miles apart
A frozen ocean joins our hearts
I can't wait to meet you when
The frozen waves meet ocean floors
You'll be standing on the shore
I can't wait to meet you then

I still dream
But what should I believe
Frozen shapes to bend
Impossible sets in
Lost again
Still alone
I said ooh-ooh

Ten thousand miles apart
A frozen ocean joins our hearts
I can't wait to meet you when
The frozen waves meet ocean floors
You'll be standing on the shore
I can't wait to meet you then

I can't wait (x7)

The frozen waves meet ocean floors
You'll be standing on the shore
I can't wait to meet you then
Ten thousand miles apart
A frozen ocean joins our hearts
I can't wait to meet you when

Oceanos Congelados

Não consigo dormir
Perdi a vontade de cantar
Ninguém é deixado por um amigo
O preço de fingir doença
Aonde você foi?
Preciso de você agora
Eu disse ooh-ooh

Dez mil milhas de distância
Um oceano congelado une nossos corações
Não posso esperar para conhecê-lo quando
As ondas congeladas encontram os pavimentos do oceano
Você estará de pé no litoral
Não posso esperar pra vê-lo, então

Ainda sonho
Mas o que eu deveria acreditar
Formas congeladas a dobrar
Impossível em conjuntos
Perdido novamente
Ainda sozinho
Eu digo ooh-ooh

Dez mil milhas de distância
Um oceano congelado une nossos corações
Não posso esperar para vê-lo quando
As ondas congeladas encontram os pavimentos do oceano
Você estará no litoral
Não posso esperar pra vê-lo, então

Não posso esperar

As ondas congeladas encontram os pavimentos do oceano
Você estará no litoral
Não posso esperar pra vê-lo, então
Dez mil milhas de distância
Um oceano congelado une nossos corações
Não posso esperar para vê-lo quando

Do outro lado com Gabi - Parte 1

16 de set de 2010


   Caio está fazendo dezesseis anos. Mas não se deu o trabalho de lembrar. Desde o dia que sua família morreu naquele acidente, os dias, para ele, simplesmente passam como se um fosse a repetição do outro, como um ciclo inevitável e sem fim.
   Ele acaba de chegar em casa e sem hesitar vai direto para sala logo a direita no topo das escadas, como se não houvesse ali, outro caminho. Aquele cômodo tornou-se agora, seu lar.
   Ele olha aquelas paredes pálidas e quase se sente sendo engolido por elas. Observa então, os detalhes daquele lugar que por tantos anos o fez feliz, e que agora era o motivo de sua maior tristeza.
   Havia oito cadeiras organizadamente dispostas – quase formando um círculo -, uma mesa alta de centro com aquela cor de marrom que ele amava quando lustrada, um suporte para flores com dois lugares vazios...
   Teve então, lembranças vivas de uma tarde que passou ali: seu pai, sua mãe e sua irmã, estavam todos de volta e esta doce recordação perdurou até quando sua mãe pediu para que ele fosse até o espelho pegar o jornal.
     - Filho, pegue ali o jornal para mamãe. – Disse sorrindo com aquele olhar de amor.
     E foi. Mas ao ver-se naquele espelho manchado pelo tempo todos eles sumiram outra vez, formando pelo reflexo apenas a imagem de uma mulher estranha.
  
   Virou-se abruptamente e como se o que fosse falar já estivesse gravado, disse:
   - Quem é você? O que está fazendo aqui? – Indagou enfurecido.
   - Calma moçinho. Na verdade, nem eu sei o que faço aqui, mas sinto que devo te ajudar. – Respondeu pacificamente, causando-lhe mais fúria.
   Caio volta-se para o espelho, agora com o corpo rendido por suas mãos apoiadas na bancada empoeirada. Olhando novamente seu reflexo no espelho à sua frente, mira sua boca - a essa altura trêmula de raiva e tristeza – e vê-se dizendo:
   - Você não conseguiria. Ninguém conseguiria. Há coisas que são irreversíveis. – Rebateu com um profundo desconsolo na sua voz, agora, rouca.
   Ocorre-lhe uma lágrima.
   - Por quê? Você é tão jovem. Não deve ter sido nada grave. Agora me conte. O que está te deixando assim?
   Ele, reflexivo, ergue seu corpo e vai até a cadeira à frente daquela moça, logo ao lado do espelho. Não precisou mais que três passos para isso. Senta-se nela e quase cai quando uma nova rachadura surge. Tímido por isso demora um pouco para se recompor, respira fundo e, olhando nos seus olhos, desabafa.
   - Ontem minha família morreu. E eu não sei o que representa uma família para você, mas isso é, sim, algo grave para mim.
    

   Ela assentiu sem graça em perceber que tratou com menosprezo a situação difícil do menino. Logo em seguida acena com uma das mãos fazendo movimentos giratórios pedindo para que ele prossiga.
   - Não tenho muito o que falar. Só lembro que estávamos nós quatro naquele trem...
   Sua voz se perdeu como se alguém a tivesse cortado. Um pensamento lhe havia causado pânico.
   Seus olhos se arregalaram e ficaram perdidos naquela atmosfera espessa que se formou.
   Sua respiração ficou difícil. Tentou respirar pela boca. De nada adiantou. Parecia engolir pedras.
   Caio cai em si.
   Ele que sempre acreditou não estar naquele local do qual acabara de descrever, fica intrigado em como conseguiu ver-se ali.
   A cena ia se construindo em sua mente e na medida em que as imagens se formavam, o choro e os gritos de desespero consumiam-lhe.
   Levanta-se da cadeira e, ao mesmo tempo enquanto pensa no acidente, observa mais uma vez aquela sala. Vê, somente agora, o estado dos móveis que estão ali... Camadas grossas de poeira, teias de aranha por todos os lados, madeira deteriorada e comida por cupins.
   Por fim, e sem saber, se olha mais uma e última vez no espelho, quando a cena final se compõe:

       
   “Estava feliz. Meu pai encontrava-se logo a minha frente com minha mãe ao seu lado. Ela acariciava sua perna direita – detalhe que eu costumava observar e admirar como um ato de afeto o qual eu esperava que Amy – a garota que amo, fizesse comigo um dia.
     Minha irmã estava dormindo com a cabeça apoiada em meu ombro.
     E bastaram apenas alguns segundos para que aquele grande clarão viesse em minha direção e uma leveza me incorporasse...”

   Permaneceu em silêncio por um instante tentando assimilar o que acabara de ver. Depois não teve dúvidas...
   - Eu também estou morto! – Grita ele. – Eu também estou morto!
  A mulher vê, então, que não pode ajudá-lo, como sugeriu mais cedo o menino. E para não precisar mais ficar ali, presenciando aquela cena desagradável, sai da sala.

(Continua)


* Feito por Matt Souza


Leia a parte 2!
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